MADRID, Espanha, 25 de outubro de 2026. Numa sala de ensaio ninguém conta até quatro. Conta-se em oitos. O coreógrafo dá a entrada, «cinco, seis, sete, oito», e os bailarinos arrancam no «um». Cada frase de movimento ocupa um ou vários oitos, e o caderno de quem monta o número enche-se de anotações abreviadas sobre voltas, braços e mudanças de peso. É uma maneira de escrever a dança para que possa ser repetida. O videoclipe de «Honolulu Sand», tema do álbum «El día de la liberación», parece ter sido construído assim, oito a oito.
Mike Sain't Louis, o primeiro cantautor IA: letrista, compositor e produtor musical (música e interpretação vocal feitas com IA), apresenta aqui uma peça onde praticamente não há história, nem diálogo, nem um protagonista a olhar para a câmara. Há grupos de corpos a moverem-se ao mesmo tempo em cenários impossíveis. Uma gruta de gelo azulado. Dunas que refletem o arco-íris. O fundo do mar. Praias ao entardecer. A coreografia é a narrativa.
A imagem que acompanha este comunicado mostra exatamente esse espírito. Numa praia de areia tingida de cores, com reflexos de arco-íris a percorrer o chão, várias figuras caminham de costas para a câmara em direção ao horizonte, sob um céu limpo de fim de tarde. Não se veem rostos. Vê-se apenas movimento, luz e espaço aberto. É uma imagem sobre ir em frente juntos, sem pressa, cada um ao seu ritmo mas na mesma direção.
O título evoca o Havai, as ilhas do Pacífico, a areia fina e quente de Honolulu. Mas a praia do videoclipe não pertence a nenhum mapa real. É uma praia de Planeta Gayfolk, o planeta imaginário onde decorre toda a trilogia, um lugar onde as pessoas que foram tratadas como estranhas deixam de pedir desculpa por existir. Ali, até a areia se pinta com as cores da bandeira do orgulho, sem que ninguém precise de a hastear.
A dança coletiva tem uma longa tradição como espaço de liberdade para a comunidade LGBTQIA+. Das salas de baile clandestinas às discotecas dos anos setenta, das paradas do orgulho às coreografias virais de hoje, mover o corpo em grupo sempre foi uma forma de afirmar presença. Quando muitos corpos se movem em uníssono, cada pessoa deixa de estar sozinha. «Honolulu Sand» captura essa sensação: ninguém se destaca, ninguém fica para trás, todos contam no mesmo oito.
Os fatos prateados que aparecem em vários momentos do videoclipe acrescentam um toque futurista, quase de ficção científica. Lembram os figurinos dos espetáculos televisivos dos anos oitenta e, ao mesmo tempo, os trajes de uma tripulação espacial. É uma estética muito característica do universo GAYFOLK, que mistura o kitsch, o retro e o fantástico sem complexos. O brilho não é um excesso; é uma linguagem.
A gruta de gelo e o fundo do mar ampliam a geografia. A dança acontece em todos os elementos: na água, no frio, na areia quente. É como se o videoclipe dissesse que não existe lugar onde não se possa dançar, que o movimento é uma forma de habitar o mundo inteiro. Para quem durante muito tempo sentiu que não cabia em lado nenhum, essa ideia tem uma força particular.
Vale a pena ver o videoclipe mais do que uma vez. Na primeira, o olhar segue as cores e os cenários. Na segunda, começa-se a reparar na coreografia: nos braços que sobem ao mesmo tempo, nas linhas que se desfazem e voltam a formar-se, nas pequenas pausas em que todos ficam imóveis antes de recomeçar. Na terceira, talvez já se conte em oitos sem dar por isso. É o efeito das boas danças de grupo: contagiam. Quem tiver uma sala, um corredor ou uma varanda pode experimentar. Não é preciso técnica nem figurino prateado, apenas vontade de mexer o corpo e de deixar que a música marque o compasso.
No contexto do álbum «El día de la liberación», o tema funciona como um intervalo luminoso. O disco fala de sair de relações que aprisionam, de reconhecer manipulações, de recuperar a alegria depois de fases difíceis. «Honolulu Sand» é a recompensa: o momento em que, já livre, o corpo volta a mexer-se sem medo. Não é preciso explicar nada; basta dançar.
Para o público português e brasileiro, habituado a praias longas, a verões intermináveis e a uma cultura onde a dança faz parte da vida quotidiana, o videoclipe terá uma ressonância imediata. Há algo de festa de praia, de roda ao pôr do sol, de noite que começa na areia e acaba ninguém sabe onde.
Mike Sain't Louis desenvolve a partir de Madrid a trilogia GAYFOLK na sua própria editora, com letras, produção e realização dos videoclipes. O seu catálogo vai da sátira social à ternura, passando pela pista de dança, e «Honolulu Sand» é um dos seus trabalhos mais visuais e coreográficos.
Toda a música pode ser ouvida e descarregada gratuitamente, sem registo e sem qualquer pagamento. A loja gratuita de gayfolkplanet.com oferece as faixas uma a uma, e a página de descargas de mikesaintlouis.com reúne os álbuns completos. O videoclipe oficial de «Honolulu Sand» está na ficha do tema.
Cinco, seis, sete, oito. A partir daqui, a areia é de todos.
- Ficha do tema e videoclipe: https://gayfolkplanet.com/letras/honolulu-sand
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Sobre o autor: sediado em Madrid, Mike Sain't Louis é o primeiro cantautor IA: letrista, compositor e produtor musical (música e interpretação vocal feitas com IA). Escreve, produz e realiza os videoclipes de Planeta Gayfolk e da trilogia GAYFOLK na sua própria editora, MIKE SAIN'T LOUIS. Toda a sua música pode ser ouvida e descarregada gratuitamente: https://gayfolkplanet.com/tienda e https://mikesaintlouis.com/descargas