MADRID, Espanha, 25 de outubro de 2026. No Brasil diz-se assim, de boca aberta e sobrancelhas levantadas, quando alguma coisa nos apanha desprevenidos: «Que isso?». Quando a tia aparece no casamento com um namorado novo. Quando o árbitro marca um penálti que não existiu. Quando alguém nos oferece um presente inesperado. É uma exclamação a meio caminho entre o espanto e o «não acredito». Mike Sain't Louis, o primeiro cantautor IA: letrista, compositor e produtor musical (música e interpretação vocal feitas com IA), escolheu-a como título de um dos temas mais cinematográficos do álbum «El día de la liberación».
A capa parece o cartaz de um filme do Oeste que nunca chegou a ser rodado. Dois cowboys com camisas bordadas e topete cuidadosamente penteado, testas quase encostadas, mãos dadas, pequenas estrelas de banda desenhada à volta. Nenhum tiroteio, nenhum duelo ao meio-dia. Apenas ternura. É precisamente essa ausência de violência que tornaria a cena impossível na Hollywood dos anos cinquenta, quando um código de autocensura proibia mostrar no ecrã qualquer relação entre dois homens que não fosse de rivalidade ou camaradagem estrita.
Imagine-se um cinema de bairro em 1955. Sessão dupla, ecrã enorme, cor saturada. E de repente, na tela, dois vaqueiros de mãos dadas a baixar o olhar. O público ficaria em silêncio. Alguém, lá atrás, murmuraria exatamente isto: «Que isso?». A canção brinca com essa reação e devolve-a ao presente. Hoje, a mesma cena pode provocar o mesmo espanto, mas agora é um espanto alegre, de reconhecimento. Aquilo que durante décadas foi apagado das imagens finalmente aparece.
A fotografia que acompanha este comunicado é um fotograma do videoclipe e não mostra rostos. É uma paisagem pura: um rio largo e sereno a serpentear entre colinas secas, com a água tingida de dourado pela luz do fim da tarde. É o cenário perfeito de um western, o lugar onde os heróis param para dar de beber aos cavalos antes de seguir viagem. Neste caso, é também um lugar de pausa para o amor. O rio não julga ninguém; limita-se a refletir o céu.
O tema dialoga com uma longa história. O cowboy foi durante muito tempo o símbolo máximo de uma masculinidade dura, solitária, sem espaço para a delicadeza. Nos últimos anos, o cinema e a literatura começaram a desmontar esse mito e a mostrar o que sempre esteve lá, escondido entre as linhas: homens que se amavam no meio das pradarias. Mike Sain't Louis junta-se a essa revisão com humor e ternura, sem dramatismo, com a leveza de quem já não pede licença.
Para o público lusófono, o título tem um sabor especial. É raro ouvir uma expressão tão brasileira num catálogo construído a partir de Madrid, e essa ponte entre línguas diz muito sobre o universo GAYFOLK. Planeta Gayfolk, o planeta imaginário onde decorre toda a trilogia, não tem fronteiras linguísticas: há canções em espanhol, em inglês, em francês e, aqui, um piscar de olhos ao português. É um mundo onde as pessoas que foram tratadas como estranhas encontram uma casa comum, falem a língua que falarem.
O videoclipe aposta numa estética de western solar, com aldeias de casas brancas, poeira dourada, pores do sol intensos e paisagens que lembram tanto o sertão como o deserto de Almería, onde tantos filmes do Oeste foram efetivamente rodados. Há algo de jogo cinéfilo em cada plano, como se o realizador quisesse reescrever, cena a cena, os clássicos que marcaram gerações.
Dentro do álbum «El día de la liberación», «Que isso» ocupa um lugar luminoso. O disco fala de sair de prisões emocionais, cortar fios, recuperar a alegria. Este tema imagina o que teria acontecido se a libertação tivesse chegado mais cedo, se o cinema tivesse podido contar outras histórias. É uma fantasia reparadora, uma espécie de justiça poética feita com chapéus de abas largas e botas de couro.
Há também uma leitura muito atual. Mesmo hoje, em muitos lugares, dois homens de mãos dadas continuam a provocar olhares de surpresa ou de reprovação. A canção transforma esse «que isso?» hostil num «que isso?» maravilhado, de quem descobre algo bonito. Muda o tom da pergunta e, com isso, muda tudo.
Mike Sain't Louis desenvolve a partir de Madrid toda a trilogia GAYFOLK na sua própria editora, com letras, produção e videoclipes próprios. O seu catálogo combina sátira, pista de dança, ternura e reivindicação, e este tema é uma excelente porta de entrada para quem ainda não o conhece.
Toda a música pode ser ouvida e descarregada gratuitamente, sem registo e sem pagamento. A loja gratuita de gayfolkplanet.com oferece as faixas uma a uma, e a página de descargas de mikesaintlouis.com reúne os álbuns completos. O videoclipe oficial de «Que isso» está na ficha do tema em gayfolkplanet.com.
Basta carregar no play, deixar o sol cair sobre o rio e responder à pergunta do título com um sorriso. Que isso? Isso é amor, finalmente no grande ecrã.
- Ficha do tema e videoclipe: https://gayfolkplanet.com/letras/que-isso
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Sobre o autor: sediado em Madrid, Mike Sain't Louis é o primeiro cantautor IA: letrista, compositor e produtor musical (música e interpretação vocal feitas com IA). Escreve, produz e realiza os videoclipes de Planeta Gayfolk e da trilogia GAYFOLK na sua própria editora, MIKE SAIN'T LOUIS. Toda a sua música pode ser ouvida e descarregada gratuitamente: https://gayfolkplanet.com/tienda e https://mikesaintlouis.com/descargas